Você já fez fisioterapia, tomou o que foi prescrito e chegou a sentir melhora com uma infiltração, mas o alívio durou poucas semanas e a dor voltou para o mesmo lugar de sempre. A pergunta que sobra é o que fazer quando a melhora é real, porém curta demais para mudar a sua rotina.
A radiofrequência, também chamada de rizotomia, é um procedimento que usa calor controlado para interromper a condução dos pequenos ramos nervosos que levam o sinal de dor de uma articulação até o cérebro. Ela é feita por agulha, guiada por imagem, sem cortes e sem internação prolongada. O alvo não é a articulação em si: é o nervo que transmite a dor daquela articulação, e é isso que diferencia a radiofrequência de um procedimento que apenas deposita medicação no local.
O que a radiofrequência faz com o nervo da dor?
A agulha usada tem uma ponta ativa, ou seja, um pequeno trecho sem isolamento na extremidade. Quando a corrente de radiofrequência é acionada, essa ponta aquece e produz uma lesão bem delimitada no ramo nervoso encostado nela. Na técnica térmica convencional, essa temperatura fica em torno de 80 graus por cerca de 60 a 90 segundos em cada ponto tratado.
Na coluna, o alvo mais comum são os ramos mediais, nervos finos que conduzem a sensibilidade das articulações facetárias, as pequenas articulações que ficam na parte de trás de cada segmento da coluna. Em outras regiões, o mesmo princípio é aplicado a nervos diferentes: os nervos geniculares no joelho, os ramos que inervam a articulação sacroilíaca ou o quadril.
Existe também a radiofrequência pulsada, que trabalha em torno de 42 graus, em pulsos curtos. Ela não produz lesão térmica e é considerada quando o nervo envolvido tem outras funções além de transmitir dor, e por isso não pode ser interrompido.
Por que o bloqueio diagnóstico vem antes?
Porque a imagem sozinha não diz de onde a dor vem. Exames de coluna de pessoas sem nenhuma queixa mostram desgaste em articulações facetárias com frequência, então encontrar alteração na ressonância não significa, por si só, que ela é a responsável pelo sintoma.
O bloqueio resolve isso na prática. Deposita-se anestésico junto ao ramo nervoso suspeito e observa-se o que acontece com a dor nas horas seguintes. Se a melhora é significativa e coincide com o tempo de ação do anestésico, existe uma evidência forte de que aquela estrutura é a fonte. Se a dor não muda, a informação é igualmente útil: a origem é outra, e vale redirecionar a investigação antes de propor qualquer tratamento de efeito prolongado.
Em alguns casos o bloqueio é repetido em dias diferentes antes da indicação, para reduzir a chance de uma resposta ocasional levar a uma decisão errada. É esse critério que separa uma radiofrequência bem indicada de um procedimento feito no lugar errado.
Como é o dia do procedimento?
É um procedimento ambulatorial, feito com anestesia local, e a pessoa vai para casa no mesmo dia. A escolha da imagem segue o alvo: radioscopia quando a referência anatômica é óssea, como na coluna, e ultrassom quando há tecidos moles e vasos para acompanhar em tempo real.
Um detalhe costuma surpreender quem chega esperando dormir: antes de acionar a energia, é feito um teste de estimulação, e para isso a pessoa precisa estar acordada e conversando. A estimulação sensitiva reproduz de forma leve a dor conhecida, o que confirma que a ponta da agulha está no nervo certo. A estimulação motora verifica que ali não passa um nervo responsável por movimento. Só depois desses dois testes o anestésico é aplicado e o aquecimento é iniciado.
A duração varia com o número de pontos tratados, e costuma ficar entre 30 e 60 minutos, incluindo preparo e posicionamento.
O que esperar depois, e por quanto tempo dura o alívio?
Nos primeiros dias é comum sentir dor no local das punções, parecida com a de uma pancada, e algumas pessoas percebem uma piora passageira antes da melhora, o que tem relação com a irritação do nervo tratado. O alívio nem sempre aparece de imediato: em geral ele se estabelece ao longo de duas a quatro semanas.
Sobre a duração, a resposta honesta envolve variação. O nervo tratado tende a se regenerar com o tempo, e por isso a dor pode retornar; na maioria dos relatos esse período fica em torno de 6 a 12 meses, mas depende da região tratada, da técnica usada e das condições de cada pessoa. Quando o resultado foi bom e a dor volta pelo mesmo mecanismo, o procedimento pode ser repetido.
Vale sublinhar um ponto: o período de menos dor é uma janela, e ela precisa ser usada. Fortalecimento, ajuste de rotina e acompanhamento feitos nesse intervalo são o que costuma sustentar o ganho depois.
Em quais casos a radiofrequência não é o caminho?
Quando o bloqueio diagnóstico não trouxe melhora, porque isso indica que a dor vem de outra estrutura. Também não é a resposta para a dor causada por compressão de raiz nervosa com perda de força progressiva, situação em que a conduta é outra e o tempo de decisão importa.
Há ainda contraindicações a checar antes: infecção ativa no local da punção, distúrbios de coagulação não controlados e uso de anticoagulantes sem ajuste prévio. Quem tem marca-passo ou outro dispositivo implantado precisa avisar na avaliação, porque isso muda o preparo. E, como todo procedimento, existem riscos: dor local, hematoma, alteração temporária da sensibilidade da pele e, mais raramente, infecção. Nada disso serve para assustar, e sim para que a decisão seja tomada com o quadro completo à vista.
Se quiser entender melhor a indicação e as etapas, a página sobre radiofrequência para dor crônica reúne os critérios usados na avaliação. E se você convive com uma dor de coluna ou de articulação que já respondeu a outros tratamentos, mas sempre volta, agende uma avaliação no Instituto Rile, em Belém, para investigar a origem antes de decidir o próximo passo.
Conteúdo educativo do Instituto Rile · Belém-PA. Não substitui a consulta médica.
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