Coluna

Hérnia de disco L4-L5: sintomas e quando se preocupar

Dor que desce pela lateral da perna até o pé pode vir de hérnia de disco L4-L5. Veja os sintomas, os sinais de alerta e quando procurar avaliação.

06 de outubro de 2026 · Dr. Marcus Torres · 5 min de leitura

PorDr. Marcus Torres· CRM-PA 19505 · RQE 9403

Começou como uma dor na lombar e, em poucos dias, ela mudou de endereço: agora desce pela nádega, corre pela lateral da perna e termina no peito do pé. Às vezes vem junto um formigamento entre o dedão e o segundo dedo, e ficar sentado virou um castigo.

Esse desenho de dor é típico da hérnia de disco L4-L5, que na maioria das vezes comprime a raiz nervosa L5. Os sintomas característicos são dor que irradia da lombar até o pé pela lateral da perna, dormência no dorso do pé e, em alguns casos, fraqueza para levantar o dedão ou a ponta do pé. O que mais pede atenção não é a intensidade da dor, e sim a perda de força que avança e qualquer alteração no controle da urina ou das fezes.

O que é a hérnia de disco L4-L5?

L4-L5 é o disco entre a quarta e a quinta vértebra lombar, na parte baixa das costas. Junto com o L5-S1, logo abaixo, ele concentra a maior parte das hérnias de disco lombares, porque esse trecho suporta muita carga e muito movimento. A hérnia acontece quando parte do núcleo gelatinoso do disco atravessa o anel fibroso que o envolve e invade o espaço das raízes nervosas. A dor vem da compressão e da inflamação da raiz vizinha, e é por isso que o sintoma aparece longe da coluna, na perna e no pé.

Quais são os sintomas da hérnia de disco L4-L5?

Na apresentação mais comum, a hérnia L4-L5 se projeta para trás e para o lado e encosta na raiz L5. O mapa dos sintomas acompanha o trajeto desse nervo:

  • Dor que irradia da lombar ou da nádega pela face lateral da coxa e da perna, chegando ao dorso do pé.
  • Formigamento ou dormência no peito do pé, muitas vezes concentrado entre o dedão e o segundo dedo.
  • Dor que piora ao sentar, ao inclinar o tronco para a frente, ao tossir ou ao espirrar.
  • Dor na perna que costuma incomodar mais do que a dor nas costas.

Nem toda hérnia L4-L5 atinge a raiz L5. Quando ela é lateral, junto ao forame por onde o nervo sai da coluna, pode comprimir a raiz L4: a dor aparece na frente da coxa, no joelho e na parte interna da perna, e a fraqueza tende a ser para esticar o joelho.

A hérnia L4-L5 pode causar fraqueza no pé?

Pode. A raiz L5 comanda os músculos que levantam o dedão e a ponta do pé, além de parte do glúteo que estabiliza o quadril durante a marcha. Quando a compressão prejudica o nervo, aparecem sinais como tropeçar mais, arrastar a ponta do pé, sentir o pé “batendo” no chão ao caminhar ou não conseguir se apoiar nos calcanhares.

A fraqueza para levantar o pé, chamada de pé caído quando é mais acentuada, merece avaliação rápida. Dor intensa assusta, mas é a perda de força que mais pesa na decisão sobre o tratamento de uma hérnia L4-L5.

Quando se preocupar com a hérnia de disco L4-L5?

A maioria das crises de dor ciática por hérnia de disco não é urgência. Alguns sinais, porém, pedem atendimento no mesmo dia, em pronto-socorro:

  • Dificuldade para urinar, ou perda do controle da urina ou das fezes.
  • Dormência na região entre as pernas, a chamada anestesia em sela.
  • Fraqueza nas duas pernas ao mesmo tempo, ou fraqueza que piora de um dia para o outro.

Esses sinais podem indicar síndrome da cauda equina, uma compressão rara do feixe de raízes nervosas na parte baixa do canal da coluna, que exige conduta imediata.

Pedem consulta com especialista em coluna, sem esperar semanas: dor que não melhora com o tratamento inicial, fraqueza no pé mesmo que discreta, dormência que se espalha e dor que acorda à noite ou vem com febre ou perda de peso sem explicação.

Como o médico confirma que a dor vem de L4-L5?

A confirmação começa no exame físico, não na imagem. O teste de elevação da perna estendida (sinal de Lasègue) reproduz a dor ao esticar a raiz nervosa. O médico também testa a força de cada grupo muscular, pede para a pessoa andar sobre os calcanhares, examina os reflexos e mapeia a sensibilidade. Cada raiz tem um território próprio de pele e de músculos, e esse mapa costuma apontar o nível da compressão antes de qualquer exame.

A ressonância magnética é o exame que mostra o disco e a raiz nervosa; a radiografia simples não enxerga o disco. Ela costuma ser pedida quando há sinal de alerta, quando a dor persiste apesar do tratamento ou quando se discute um procedimento. O diagnóstico depende da correspondência entre imagem e exame físico, porque hérnias aparecem com frequência em ressonâncias de pessoas que não sentem dor.

A hérnia de disco L4-L5 melhora sem cirurgia?

Na maioria das vezes, sim. Em boa parte das pessoas, a dor diminui de forma importante ao longo de semanas a poucos meses, e parte das hérnias reduz de tamanho espontaneamente, por reabsorção. O tratamento conservador combina medicação, fisioterapia com exercícios orientados e ajuste temporário das atividades, sem repouso prolongado na cama.

Quando a dor não cede o suficiente, a infiltração guiada por imagem junto à raiz comprimida pode ser uma opção. A cirurgia entra em discussão diante de perda de força progressiva, síndrome da cauda equina ou dor incapacitante que não responde ao tratamento clínico, e pode ser feita por técnica minimamente invasiva. As opções de tratamento da hérnia de disco dependem da força, do tempo de sintoma e da rotina de cada pessoa, e a decisão é tomada em conjunto entre médico e paciente.

Se a sua dor desce da lombar até o pé, ou se você percebeu o pé mais fraco, agende uma avaliação no Instituto Rile, em Belém. Entender qual raiz está comprimida e por quê é o primeiro passo para escolher o tratamento adequado ao seu caso.

Conteúdo educativo do Instituto Rile · Belém-PA. Não substitui a consulta médica.

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